segunda-feira, 28 de outubro de 2019

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Sou 'dualidade'

Dualidade
Só não sei bem quem sou eu
Sou o erro, o acerto...
Sou a dúvida!
Eu sou ser pensante e o errante
Às vezes me movo rápido, às vezes parado sou feito estante.
Me arrependo. Me repreendo
Mas quando me vejo
Lá estou eu fazendo de novo, e de novo não há nada de novo.
Sou a determinação!
O vitorioso sobre o eu mais fraco
Quando me vejo às vezes não me vejo.
Sou o avesso do que percebo.
Faz parte...
No fundo não sou uno, sou dualidade.

(E é nessa disparidade que repousa meu subterfúgio)

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

sábado, 14 de julho de 2018

Ah, se alguém aí for viajar pra lua, passa lá em casa e leva a gente!

Ah, se alguém aí for viajar pra lua, passa lá em casa e leva a gente!

Ah, se alguém aí for viajar pra lua, passa lá em casa e leva a gente!

As pessoas andam muito carentes...
Quer seja de uma figura pública representativa.
Ou mesmo de um super-herói que morra como morremos
- numa esquina qualquer – sofrendo como a gente.

Éh, as pessoas andam muito carentes...
Veneram os Deuses virtuais a todo o momento.
No cinema aplaudem o pseudo-herói.
Que não passa de animação, que não vence a luta da gente.
Enquanto que lá na rua, por falta de educação, este mesmo humano,
- doente - tornou-se vilão.
Ataca sem qualquer razão. Já acorda pra serrar os dentes.

Ah, como as pessoas andam carentes...
Trocam, definitivamente, a companhia de quem está perto, por quem está longe e ausente.
O tato não se faz mais necessário. A companhia mais prazerosa é mesmo a virtual.
- Uau, você viu fulano de tal? – está doente. – viajou. – caiu o dente... Normal.

Defendem bandeiras, trocando farpas e pontapés. São tendenciosos, os juízes de todo boato.
Não investigam se é verdade. O que vale é o comentário!
Escravos da preguiça e da ignorância. Voltaram a ser crianças.
Trocaram a leitura por figura, por gravura.
Enviar vídeo, enviar ‘meme’, cinco minutos de fama é que é fortuna.
Uauu!!! São tão bravos, tão politizados... mas só pela rede social.

Andam atrasados, por isso buzinam, vomitam insultos uns aos outros.
O som deixou de ser ambiente, tornou-se feito carnaval, no sambódromo da rua da gente.
Drogas da moda / a moda é uma droga.
Música ultrajante / clipe, letra? Só o que não presta é o que se vende.
...
Ah, se alguém aí for viajar pra lua, passa lá em casa e leva a gente.
...
“Compra-se audiência, pagamos à vista e com indecência.
Censura? Pra quê. Frescuraaa. Vem ver!
- Não fazemos distinção. – mas e quanto à segregação?
- É, isso é capaz de ter!”

A corrupção é o nosso terremoto, a nossa peste.
Ela é a bomba que desmembra os nossos semelhantes.
A todo o momento, a todo instante.
É assim que a miséria investe.

Leis são criadas para a extinção da dignidade.
Outras nunca serão mudadas.
Pois atendem muito bem aos nossos impositores; opressivos e opressores,
Servem às suas impunidades...  maldades, atrocidades.
...

Ah, como as pessoas andam carentes...

O jovem se tranca no escuro.
O fone abafa o barulho e lá naquele jogo, vai até amanhecer.
A menina é da rede social para o seu quarto, posta vídeo para o canal.
No ‘insta’ faz pose pra ele ver.
A competição é em ‘visualização’ – a desculpa é ‘profissão’ – gasta o tempo na edição,
só sai do quarto pra comer.

O pai não perde o futebol ou outra bobeira que ele adora ver.
Enquanto lá na cozinha, a mãe abre a geladeira e corre pra outra TV.
Tem criança que com ‘três anos’,
sai do balé, vai pra natação,
tá lá no inglês, pensando no ‘violão’.

Lá na frente, depressiva e sem amor próprio,
de tanto se isolar, não sabe nem olhar nos olhos,
De tanto correr... de tanto perder...
Infelizmente, vai chegar uma vez,
talvez, quem sabe aos dezesseis,
ela não vai aguentar mais.
E, não sabendo lidar com gente, vai conversar com a sua mente doente;
‘é, talvez ela mate os pais’.
Texto postado, também, no site;
https://www.recantodasletras.com.br/autor_textos.php?id=187493&categoria=&lista=lidos

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

LEIA COM ATENÇÃO! (diagnóstico)

LEIA COM ATENÇÃO!  (diagnóstico)

(aos amigos e familiares)


 

Era uma quinta-feira de dezembro (2017), o natal se avizinhava, o dia havia sido de muito sol e em um dado momento os céus abriram suas comportas para uma torrente de águas. Foi neste dia que avistei a MORTE de perto...

Na forma de uma intensa luz branca, ela me chamava, havia dentro dela, um ser de luz, reluzindo naquele ‘astro branco’. Meu corpo já não respondia aos estímulos, a lucidez ficara para trás. A respiração era fraca, lenta... Lutava com todas as minhas forças, travava uma batalha pela vida. Eu não estava preparado para deixar para trás minha família, minha vida. Eu queria viver! Apenas... VIVER!!!

Feito um guerreiro paladino, reuni forças, concentrei o pouco que ainda restava de energia vital em meu corpo e as pressas, cheguei ao hospital – caos, barulho de ambulância, maca, enfermeiros, aparelhos e médicos... CAOS, essa era a palavra!

Fui direto para a UTI, de lá me encaminharam para o andar de baixo, e assim foi, até que um homem, ou ANJO, ainda não sei ao certo, já no térreo, me ajudou ao apontar para a recepção. Sei lá, tudo foi tão rápido – também pudera, o caso era de VIDA OU MORTE!

A MÉDICA, - insensível, indelicada e com coração de pedra – sem muitos exames e rodeio, decretou... Dera o temido DIAGNÓSTICO, sim, infelizmente era o que eu já imaginava... Mas como um bom amante da vida, não era o que eu queria ouvir, pois como já disse eu queria viver, mais e mais! Mas o IMPREVISTO é o senhor do tempo e algo muito mais forte que o homem me acometeu.

A médica, sim, aquela mesmo, – insensível, indelicada e com coração de pedra - era, também, muito inteligente, DOUTORADA e tudo mais... Porém, pecava por falta de sensibilidade, ainda mais ao ter que dar uma notícia dessas.

Olhou em meus olhos - MAREJADOS e tristes, já sem o brilho rotineiro - e, sem pudor nenhum me disse:

(...) bom, já foi o BASTANTE ter ouvido dela.

Então, prefiro nem repetir aquelas TRISTES palavras, apenas ACEITÁ-LAS!

 

 

Texto de um HOMEM GRIPADO, após ida ao pronto-socorro. HAHAHA JJJJJJJ
#MaiorQueAdorDoParto
#SomosTodosSobreviventes
 

por Anderson Horizonte 09/01/2018

quinta-feira, 27 de julho de 2017

‘Miniconto musical’ (Los Hermanos & Legião Urbana)




‘Miniconto musical’ (Los Hermanos & Legião Urbana)


O limpador de para-brisa e o ladrão de celular



            Ele fazia um péssimo uso de um clichê musical; ‘eu gosto é do estrago’, assim, vestido de má intenção, saiu para mais um roubo...

...

Amparado da boa música, poetizou, cantou alto em seu trabalho:prepara uma avenida que a gente vai passarrrrr...’, e saiu pra ganhar o pão de cada dia, aquele mesmo que ‘Brasília’, insiste em tentar tirar...

...

De um lado; um gatuno, ladrão de celular. Do outro; o honesto limpador de para-brisa.

- Bom dia, linda senhora, o seu carro é muito lindo, imagina, então, na hora em que eu terminar de deixar seu para-brisa brilhando e bem mais limpo?! – rimou, João, o limpador, já exercendo a sua função, e de volta ganhou mais algumas moedas.

- Boa tarde, meu senhor, com esse vidro limpo do jeito que estou deixando, você chega bem, onde quer chegar, ou, onde deva levar essa sua filhinha linda, que não para de me olhar, com um sorriso encantador, que, com certeza você deve amar... Rimou pela ‘milésima’ vez naquela quinta feira de sol escaldante.

- por prezar pela segurança dos meus, merece mais do que tenho a te dar, mas te dou de bom grado – respondeu o motorista.


Assim, o limpador garantiu o leite, o pão, o sorriso da esposa e dos filhos...


Partiu, cantando aos quatro cantos do cruzamento de importantes avenidas da capital paulista:

“e eu que já não quero mais

ser um vencedor,

levo a vida devagar

para não faltar amor,

olha você

e diz que não,

vive a esconder

um coraçãoooo...” 


A uns 5km do cruzamento onde João, o limpador de para-brisa estava, Jeremias, tinha a audácia de falar que estava trabalhando:

- Perdeu, perdeu, passa esse celular pra cá, já era!!!

- aí, perdeu, mané – apontava seu revólver calibre 38, a torto e a direito, ameaçando jovens reféns a céu aberto. Dessa forma o gatuno fez canção:

“Jeremias, maconheiro, sem vergonha,

organizou a rockonha e fez todo mundo dançar.

Desvirginava mocinhas inocentes

e dizia que era crente mas não sabia rezar...”


O ladrão de celular disparou em sua moto e, fugindo da polícia, não viu semáforos ou cruzamentos, somente, via, uma fuga ‘holiudiana’. Agora, a pouco menos de 2km de João, o bom limpador de para-brisa, que insistia em retribuir com gentileza aos que também lhe pagavam com cordialidade, e, brincando com duas senhoras em um carro que acabara de limpar, cantou, sorrindo;

“Quem te ver passar assim por mim,

não sabe o que é sofrer,

ter que ver você assim,

sempre tão linda,

contemplar o sol do teu olhar...” – as senhoras lhe sorriram de volta.


Já cansado do seu dia e sem se perceber, se viu dentro de uma canção:
“e santo cristo há muito não ia pra casa,

e a saudade começou a apertar,

eu vou embora, vou ver Maria Lúcia,

já está em tempo de a gente se casar...”


Mas, seu sorriso branco, sorriu ‘no lugar errado e na hora errada’, o ladrão de celular, em alta velocidade, fugindo, sem pudor e temor, acertou em cheio o sorriso de João, que, sem poder desviar, parou a moto em seu peito, voaram; moedas, notas, o ladrão, os celulares, o rodinho, o balde e João. Desfalecendo, o limpador pensou estar se justificando com sua amada:

- Veja você onde é que o barco foi desaguar

- A gente só queria um amor

- Deus parece às vezes se esquecer

- Ai, não fala isso por favor

Esse é so o começo do fim da nossa vida

Deixa chegar o sonho

Prepara uma avenida

Que a gente vai passar

- Veja você, quando é que tudo foi desabar

- A gente corre pra se esconder

E se amar se amar até o fim

Sem saber que o fim já vai chegar


Enquanto agonizava, o ladrão, em seu canto, sobre os olhares revoltos dos civis; civilizados e humanos – indignados com tantas e tantas injustiças – ‘ouviu’ alguém poetizar:

“Toda escolha é feita por quem 

acorda já deitado, 

toda folha elege um alguém 

que mora logo ao lado 

(é...) todo carnaval tem seu fim,

todo carnaval tem seu fim!!!”


E sobre o corpo, imóvel, do bondoso limpador de para-brisa, João, restou na boca de todos o ‘fátidico’poema, cantado, também, ao rítmo do rock:

“O povo declarava que João de Santo Cristo, 

era santo porque sabia morrer, 

e a alta burguesia da cidade

não acreditou na história que eles viram na TV  (...) 

ele queria era falar com o Presidente, 

pra ajudar toda essa gente, que só faz...

sofrerrrr”





Anderson Horizonte da Silva
26/07/2017